O mundo da moda se despede de Valentino Garavani.
Ele, que fundou a maison Valentino, em 1960, na cidade de Roma, fez história após lançar a “The White Collection”, que encantou desde Jackie Kennedy e fez com que a marca ganhasse o status de elegância e sofisticação, que perdura até hoje.
Graças ao profissional, que faleceu aos 93 anos, a marca italiana tornou-se um ícone ao fazer com que a cor Valentino Red se tornasse muito mais do que um tom, mas sim símbolo de identidade e poder.
Abaixo, relembramos os principais momentos do legado potente de Valentino e a sua contribuição para a moda italiana e mundial.

A coleção “White Collection”
Valentino Garavani, que fundou a Maison Valentino em Roma, no ano de 1960, já era conhecido na Itália, mas foi apenas oito anos depois que ele atingiu o primeiro grande marco: a coleção “White Collection”, um dividor de águas na história da marca.
As peças, quase todas em branco, romperam com o excesso dos anos 60 e consagrou a Valentino como símbolo de sofisticação.

O vestido de noiva de Jackie Kennedy
Jackie Kennedy se apaixonou pela “White Collection” instantaneamente. Na época, ela buscava um visual mais discreto e distante da imagem de “primeira-dama americana” que o mundo estava acostumado.
Pouco tempo depois, em outubro de 1968, Valentino foi o responsável pelo vestido de noiva de Jackie. A peça fugia completamente do óbvio: curto, terminando acima do joelho, mangas longas, gola alta e poucos adornos.
Ao mesmo tempo, o vestido refletia perfeitamente o momento de vida e o estilo de Jackie.
Tonalidade icônica
Muito além do vermelho: o Valentino Red nasceu como identidade. O designer se encantou pela cor durante uma ópera em Barcelona, quando ainda era adolescente. Na época, ele ficou encantado com os vestidos vermelhos usados por algumas mulheres no local.
De acordo com ele, em meio a vários tons, o vermelho era o único que realmente permanecia na memória. Porém, foi entre o fim dos anos 60 e o começo dos anos 70 que a cor virou um símbolo da marca.
Ao longo de décadas, Valentino usou o vermelho de forma consistente. Não era genérico, mas sim um tom próprio, conhecido por funcionar em diferentes tecidos, iluminar a pele e se destacar nas fotografias.
Além disso, o Valentino Red era sinônimo de poder, sendo a principal escolha de figuras importantes e atrizes, como Anne Hathaway, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Jennifer Garner, e mais.

A era do glamour absoluto
A Maison Valentino dominou os tapetes vermelhos, em especial a partir dos anos 80. Nessa fase da marca, os vestidos longos, com acabamento impecável, e feitos de tecidos nobres como seda, chiffon, veludo e tafetá eram exuberantes na medida.
Cinturas marcadas, ombros definidos (mas de forma sutil), saias amplas também faziam parte do trabalho da Valentino. Para além disso, as pedrarias, aplicações, rendas e bordados feitos à mão existiam, mas sempre equilibrados.
O icônico “Vestido da Paz”
A Valentino misturou moda e política em 1991, através da peça nomeada como “Vestido da Paz”, da coleção Primavera/Verão daquele ano.
O vestido era totalmente branco, com a palavra “PAZ” bordada em 14 idiomas, como um protesto contra a Guerra do Golfo, que havia começado em agosto de 1990.

Fiel ao próprio DNA
Nos anos 90, a moda teve um grande salto. Enquanto o streetwear surgia com força, bem como a estética “messy”, a Maison Valentino decidiu não romper com o DNA. Os bordados, os vestidos de gala e as silhuetas femininas e românticas continuaram em alta nas peças da marca.
Desta forma, a marca continuou relevante no universo da alta-costura.
A despedida
Em 2008, Valentino se despediu das passarelas. O momento escolhido foi a semana de alta-costura, no Musée Rodin: um cenário clássico, que casou perfeitamente com a coleção que resumia todo o trabalho do estilista ao longo de 50 anos.
A despedida foi feita ao som de “My Way”, de Frank Sinatra, quando Valentino entra na passarela visivelmente emocionado ao lado de Giancarlo Giammetti.
O que aconteceu depois?
A ideia da marca sempre foi inovar sem mudar a estética do criador. Logo após a despedida, a direção criativa ficou com Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que já trabalhavam na casa.
Nessa fase, a Maison Valentino trazia peças um pouco menos rígidas, justamente por serem mais afinadas com o contemporâneo.
Em 2022, só com Pierpaolo Piccioli na identidade visual, a marca conquistou a geração Z com o tom Pink PP. Esse é um rosa autoral e vibrante, assim como o Valentino Red.
Um legado eterno
O legado de Valentino para a moda italiana e mundial não é passageiro. Ao criar códigos visuais icônicos, como o Valentino Red, a roupa deixa de ser sobre uma tendência efêmera e passa a alcançar um status que atravessa décadas.
Após sua morte, a Vogue Italiana homenageou o designer com uma capa totalmente vermelha em referência à sua vida e obra.
