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Desde quando o cinema passou a depender do viral para se sustentar?

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Não é de hoje que se fala sobre a crise no cinema. Antes mesmo do surgimento dos serviços de streaming, a indústria já vivia em corda bamba. No entanto, o comportamento recente do setor, e também de quem consome seus produtos, acendeu um alerta: será que hoje é preciso investir em grandes campanhas publicitárias, apostar em virais e criar narrativas fora das telas para que um filme tenha sucesso?

Ryan Gosling – Foto: Reprodução

Venda e compra

Inclusive, a série “O Estúdio”, da Apple TV+, que satiriza as crises de Hollywood, ilustra bem esse cenário. Já na vida real, o caso mais recente, ou melhor, episódio mais recente envolve a Netflix e uma possível compra da Warner Bros. no início de 2026. Na sequência, a Paramount apresentou uma proposta considerada superior, e o caso acabou sendo abafado, até agora, sem desfecho claro.

Série “O Estúdio”, da Apple TV+ – Foto: Reprodução

Regra básica

A crise não se limita aos bastidores dos estúdios, ela também se reflete na experiência dentro das salas. Cada vez mais, ir ao cinema se torna um desafio: seja pela falta de tempo em rotinas aceleradas, pelos preços elevados dos ingressos ou pelo fato de que os filmes chegam cada vez mais rápido ao streaming.

Soma-se a isso um comportamento silencioso do público, que não consegue se desconectar dos próprios dispositivos, celulares ligados durante a sessão, com barulho ou brilho alto, tornaram-se comuns. O que deveria ser um espaço de refúgio acaba evidenciando justamente a dificuldade de estarmos presentes. Nas redes sociais, enquanto alguns posts tentam conscientizar sobre essa prática, outros já pedem a volta do lanterninha.

Sharpay Evans – Foto: Reprodução

A volta dos que não foram

Para atrair o público, cada vez mais há remakes e live-actions em cartaz. Afinal de contas, a nostalgia é uma receita, não só do cinema, para atrair mais público. Vai me dizer que você não foi impactada por “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda!” e “Meninas Malvadas (2024)” ou até mesmo aguarda ansiosamente “Diabo Veste Prada 2”? Nós estamos e não negamos.

“Diabo Veste Prada 2” – Foto: Divulgação

É preciso participar

Fora das salas, um comportamento antes mais associado aos fãs de filmes de super-herói se tornou cada vez mais comum: o público passou a se vestir a caráter para ir ao cinema, seja adotando as cores do filme, referências ao protagonista ou estéticas que dialogam com a narrativa. Sem contar os baldes de pipoca promocional, que seguem se superando cada vez mais.

Um dos exemplos mais marcantes foi o fenômeno de “Barbie” e “Oppenheimer”, lançados simultaneamente e transformados em um verdadeiro embate cultural, o chamado “Barbenheimer”, em que o público foi incentivado a escolher “um lado” e incorporar essa escolha também no visual.

Filme “Barbie” – Fotos: Reprodução

Real ou fictício

Além do vestuário alinhado aos filmes, outro aspecto chama atenção nas estratégias de divulgação: a crescente fusão entre a vida pessoal dos atores e seus personagens. Um exemplo recente é Zendaya, que interpreta uma noiva em “O Drama”. Durante a promoção do longa, surgiram rumores de que a atriz teria se casado em segredo com Tom Holland. Sem confirmar nem negar, ela seguiu adotando visuais que remetiam diretamente à sua personagem.

Outra teoria, levantada nas redes, envolve Timothée Chalamet. Antes visto como queridinho do público, o ator passou a enfrentar críticas após declarações durante a divulgação de “Marty Supreme”, em que interpreta um jogador de tênis de mesa politicamente incorreto. Para alguns, essa postura já faria parte de uma construção maior: a incorporação de personas que antecipam seus próximos papéis, como em ”Duna: Parte Três”, no qual Paul Atreides deve passar por uma transformação significativa.

“O Drama” – Foto:

Na mão dos atores e cineastas

Recentemente, o ator Ryan Gosling, protagonista do filme “Devoradores de Estrelas”, disse acreditar que é responsabilidade de Hollywood manter os cinemas relevantes em meio ao avanço dos serviços de streaming e à queda nas bilheterias.

“Seis anos atrás, recebi o roteiro. É a coisa mais ambiciosa que eu já fiz; parecia impossível. Era bom demais para não dar uma chance. Seis anos depois, conseguimos. Aqui estamos, todos de volta aos cinemas. Não é responsabilidade de vocês mantê-los abertos, é nossa obrigação produzir coisas que façam valer a pena vocês saírem de casa”, declarou Ryan, segundo a Variety.

Ryan Gosling – Foto: Reprodução

Não à toa, o filme já ultrapassa US$ 420 milhões nas bilheterias mundiais. Ainda que seja bem executado e tecnicamente impecável, sua premissa é simples: a relação entre um professor de ciências e uma espécie de pedra. Será que, no fim das contas, a chave para o sucesso ainda é uma boa história?

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