A moda genderless não é uma invenção recente. No século XVIII, homens e mulheres já compartilhavam tecidos e bordados semelhantes, uma fluidez que só foi rigidamente dividida no século XIX. Desde então, a androginia ressurgiu em marcos icônicos: das calças de Coco Chanel nos anos 1920 ao visual revolucionário de David Bowie nos anos 70. Atualmente, o grande motor dessa transformação é Harry Styles. Ao misturar peças masculinas e femininas com naturalidade, o cantor deixou de ser apenas um ícone da cultura pop para se tornar uma força de mercado.

Aparência estratégica
Harry usou as capas de revistas de maior prestígio do mundo para colocar esse conceito em jogo. A fim de normalizar a fluidez de gênero na moda, o cantor fez história em 2020 ao ser o primeiro homem a estampar a capa da Vogue Americana, vestindo um vestido de renda da Gucci. Já em veículos como Dazed e Variety, ele protagonizou ensaios usando elementos como saias armadas, saltos altos, meias-calças e espartilhos, provando que silhuetas e tecidos não têm gênero.

Maison italiana
Falando em Gucci, a parceria com o estilista Alessandro Michele (ex-diretor criativo da maison) foi um dos destaques que impulsionou a moda genderless em sua carreira. Nos tapetes vermelhos, ele introduziu blusas de seda transparentes, babados vitorianos, rendas e ternos em tons rosa-chiclete em eventos como o Met Gala. Não à toa, veio a coleção “Ha Ha Ha”, uma linha colaborativa entre os amigos que uniu a alfaiataria clássica inglesa a elementos lúdicos, estampas divertidas e cortes fluidos.

“Harry possui um senso incrível de moda. Ao observar sua capacidade de combinar itens de vestuário de uma forma que é fora do comum, em comparação com os padrões exigidos de gosto (o senso comum e a homogeneização da aparência), entendi que o styling de um look é um gerador de diferenças e de poderes, assim como suas reações aos designers que criei para ele, dos quais ele sempre se apropriou”, disse Alessandro Michele na época.
A moda vive de evolução
Se na era anterior o cantor reinava absoluto com os macacões de paetês e boás de plumas da “Love On Tour”, o cenário agora é outro. Para o lançamento de seu novo disco, “Kiss All The Time. Disco, Occasionally”, Harry e seu stylist, Harry Lambert, trocaram o maximalismo por uma sobriedade sofisticada: alfaiataria elegante, peças vintage, jeans clássicos, gravatas e camisetas básicas. Um minimalismo estratégico que reflete a atmosfera madura, eletrônica e dançante de seu retorno.

