Silhuetas suaves, cores discretas e looks sem complicação: o minimalismo sempre esteve em cena, mas o ato de se vestir de forma básica, e até com aquele ar de “não me importo”, ganhou uma nova camada.
Estamos falando da tendência low-energy dressing, que reflete muito mais do que uma escolha estética e tem tudo a ver com o momento que estamos vivendo.

Vestir para desacelerar
Enquanto a moda valoriza cada vez mais a criatividade e o gosto pessoal, tendências e microtendências continuam surgindo sem parar nas redes sociais. Esse excesso de estímulos, no entanto, acaba gerando uma sensação de saturação.
Descomplicar a forma de se vestir no dia a dia surge como uma resposta a esse cansaço digital. No fim das contas, é menos sobre estilo e mais sobre usar a simplicidade como uma forma de enfrentar o excesso.
Pelo menos, é o que diz a psicóloga de moda Dion Terrelonge em uma entrevista sobre o assunto para a Bazaar UK.
“Com o ciclo de notícias 24 horas, as redes sociais e nossos celulares sempre ligados, não existe um botão de desligar. É preciso um enorme gasto emocional apenas para processar tudo o que está acontecendo nos âmbitos político, econômico e ambiental — e ainda seguir com a rotina. O low-energy dressing oferece estabilidade”, explica.
O novo desejo é discreto
Além disso, há outro ponto importante: a tendência do “quiet luxury” redefiniu o que hoje consideramos desejável. Se antes as marcas apostavam na logomania em peças e acessórios, há algum tempo já observamos um movimento contrário. Agora, o foco está em peças discretas: menos excesso, mais sutileza.
Tudo isso se relaciona com o fato de estarmos cada vez menos sensíveis ao julgamento externo: seja ao apostar em peças nada convencionais ou ao optar por um visual simples e confortável.
A proposta do low-energy dressing não é apenas performar naturalidade (mesmo quando se gasta horas para ficar pronta), mas abraçar a simplicidade de forma mais genuína. E, claro, antes que você se pergunte: também não se trata de parecer desleixada.


