Embora “Ainda Estou Aqui”, do diretor Walter Salles, já tivesse estreado no Brasil, foi no Globo de Ouro, quando Fernanda Torres conquistou a estatueta de Melhor Atriz em Filme Dramático, que o país entrou oficialmente em clima de Copa do Mundo.
Um ano depois, o mesmo fenômeno se repeta com “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. Após o Globo de Ouro, o longa foi premiado com Melhor Filme em Língua Não Inglesa e coroou Wagner Moura com a estatueta de Melhor Ator em Filme de Drama.

O caminho é parecido, mas hã diferenças
Você tem a impressão que, quando o burburinho sobre “O Agente Secreto” surgiu, o filme parecia mais forte no páreo das premiações? Isso não é à toa.
Antes do Globo de Ouro, o longa jã acumulava mais de 50 troféus no currículo, incluindo no Festival de Cannes, onde estreou em maio de 2025. Além disso, passou por cerca de 35 premiações até agora. A campanha de “O Agente Secreto” é mais longa e, por isso, mais forte numericamente.

Chuva de estatuetas
“Ainda Estou Aqui” fechou a temporada de premiações com diversos troféus: no total, foram cerca de 70 prêmios em 42 festivais.
O filme protagonizado por Wagner Moura também segue o mesmo caminho. Entre as mais de 50 estatuetas, temos: Melhor Direção e Melhor Ator no Festival de Cannes, Prêmio de Cinema de Arte no Festival de Cinema de Hamburgo, Melhor Filme Internacional no Critics Choice Awards, e mais.
Além disso, o longa está indicado no Paris Film Critics Awards, Film Independent Spirit Award, Dorian Film Awards e Satellite Awards, que acontecem entre fevereiro e março.
Olhos para o cinema brasileiro
Outra questão necessária a ser abordada é que, depois de “Ainda Estou Aqui”, os nossos olhos já estão mais voltados para o cinema brasileiro. É como se o filme de Walter Salles tivesse relembrado a potência da nossa arte.
Por isso, o hype que fizemos com “O Agente Secreto” já começa muito mais inflamado, justamente porque sabemos aonde podemos chegar: o Oscar, do qual o filme de Fernanda Torres fez história ao vencer o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira.

A ditadura sob dois prismas
As semelhanças de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” não param por aí. Ambos os filmes falam sobre ditadura, só que de maneiras completamente diferentes.
Enquanto “Ainda Estou Aqui” traz o tema voltado para o impacto familiar, a partir da história real de Eunice Paiva e do desaparecimento de Rubens Paiva, o outro retrata o mesmo tema de maneira mais estrutural, com alguns elementos de thriller.
Ambos são muito importantes, olhando para a ditadura de maneira quase complementar.
“O Agente Secreto” está garantido no Oscar?
Ao que tudo indica, sim.
Recentemente, o Instagram oficial do Oscar (@theacademy) mostrou os países que possuem filmes concorrendo a uma indicação ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, e o Brasil está na lista.
Não é certo, mas as chances são grandes. Inclusive, podemos garantir presença nas mesmas categorias que “Ainda Estou Aqui”: Melhor Atriz e Melhor Filmes de Língua Estrangeira.
As indicações ao Oscar serão anunciadas no dia 22 de janeiro, já a cerimônia está marcada para o dia 15 de março.
Embate com Timothée Chalamet
O público espera ver exatamente essa disputa no Oscar 2026. Com “Marty Supreme” no auge e críticas positivas em relação ao trabalho de Timothée Chalamet, a presença do ator no páreo está praticamente garantida.
Se repetir o feito de Fernanda Torres, Wagner Moura disputa frente a frente com o norte-americano.
Vale lembrar que, há um ano, a atriz brasileira disputava com Demi Moore, Cynthia Erivo, Karla Sofía Gascón e Mikey Madison, que foi a vencedora da estatueta por sua atuação em “Anora”.

O Brasil e a sétima arte
Além de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, nosso país tem diversos longas aclamados e premiados.
É o caso de “Manas”, de Marianna Brennand, que acumulou mais de 20 prêmios e indicações internacionais. A conquista mais recente foi a indicação ao prêmio espanhol Goya 2026.
Sem contar produções como Orfeu Negro (1959), Central do Brasil (1998) e Cidade de Deus (2002), indicados a grandes premiações como Globo de Ouro, Oscar e Palma de Ouro.
E aí, está ansiosa para ver o Brasil mais uma vez no Oscar?
