No fim dos anos 90, Sarah Jessica Parker se tornou um dos nomes mais comentados da cultura pop e também da moda. Muito disso veio do sucesso de “Sex and the City”, onde deu vida à autêntica Carrie Bradshaw.
Já naquela época, ela mostrava, por meio dos próprios looks, que nem toda referência nasce do óbvio. A atriz apostou no maximalismo e na moda como forma de expressão, sem deixar de transitar, com a mesma naturalidade, pelo minimalismo.

Sucesso sob julgamento
Se, para os homens, o sucesso nem sempre está diretamente atrelado à busca por uma aparência impecável, o cenário muda quando falamos das mulheres em Hollywood.
Com Sarah Jessica Parker, não foi diferente. Ao mesmo tempo em que consolidava sua carreira e se tornava um ícone cultural, a atriz também passou a ser alvo frequente de comentários e questionamentos.

Em 2007, por exemplo, a revista masculina Maxim colocou a atriz no topo da lista de “mulheres menos sexy do mundo”. Um retrato ao mesmo tempo cruel e revelador de como a mídia enxergava (e, em muitos aspectos, ainda enxerga) as mulheres.
Enquanto a atriz consolidava sua carreira e dava vida a uma das personagens mais influentes da televisão, também precisava lidar com uma narrativa paralela e insistente, que tentava reduzir sua imagem à aparência.
Estigma sobre imagem
Uma das falas mais marcantes da intérprete de Carrie sobre o assunto surgiu em entrevista à Allure. “O meu rosto é o meu rosto, e ele é do jeito que é”, disse.
Uma resposta simples e direta, que dispensa justificativas e recusa a ideia de que exista algo a ser “corrigido”. No fim, sua fala reafirma algo essencial: não há nada nela que precise ser ajustado para atender a expectativas externas.

O tempo vira pauta
Com a chegada de “And Just Like That…”, continuação de “Sex and the City”, que revisita as personagens em uma nova fase da vida, foi a vez do envelhecimento da artista, hoje com 61 anos, se tornar pauta, novamente colocando sua aparência no centro de um debate.
Durante um bate-papo com a Vogue Paris, Sarah comentou: “Não vejo sentido em tentar suspender o tempo. É claro que me preocupo com minha aparência de vez em quando e quero parecer apresentável quando for apropriado. Mas, de qualquer forma, não posso fazer muito sobre o que as pessoas pensam da minha aparência. Como me sinto quando uso um vestido? Isso é o que importa”
Ícone além padrões
Ao longo dos anos, Sarah Jessica Parker transformou críticas em narrativa. Mais do que isso, em debates necessários, incorporando essa postura à sua própria assinatura. Entre perspectivas externas e escolhas pessoais, ela mostra que ser uma grande referência de moda e beleza tem muito mais a ver com permanência do que com perfeição.
Talvez seja justamente a decisão de não se “corrigir” para caber em expectativas alheias que a torna tão icônica e, ainda hoje, uma referência inesquecível.

