Não há como negar que, nos últimos tempos, poucos setores estiveram tão aquecidos, e em constante transformação, quanto o mercado de beleza, especialmente o nacional. Impulsionadas por novas tecnologias e pelo forte interesse do público, intensificado pelas tendências nas redes sociais, as marcas aceleraram seus lançamentos e, muitas vezes, passaram a seguir uma mesma lógica criativa.

Diante desse cenário, surge um novo questionamento: é realmente necessário acompanhar todas as novidades, sobretudo quando muitos produtos começam a parecer cada vez mais semelhantes entre si?
Nas redes sociais, o próprio público tem levantado essa discussão por meio de trends como “me maquiando só com os últimos lançamentos das marcas”. No vídeo, a maquiagem é construída quase inteiramente com gloss, aplicado nas pálpebras, bochechas, lábios e até no rosto todo, evidenciando a repetição de propostas.

A crítica, porém, não recai apenas sobre as marcas: ela também provoca um olhar para o consumo. Afinal, quantos produtos labiais você comprou nos últimos meses? Se a resposta for “vários”, você não está sozinho.
Dados de 2025 da Kantar Ibope indicam que o setor de higiene e beleza no Brasil vive um forte crescimento, com destaque para a geração Z impulsionando a compra de produtos como “pequenos luxos”. O fenômeno, que reacende o “efeito batom” de Leonard Lauder, reflete a busca por indulgências acessíveis em tempos de incerteza econômica, consolidando o Brasil como um dos maiores mercados de cosméticos do mundo.

A proposta não é deixar de comprar ou abrir mão de determinados produtos, mas desenvolver um consumo mais consciente e intencional, entendendo o que realmente faz sentido para a sua rotina. Em meio ao excesso de lançamentos e estímulos constantes, o maior desafio passa a ser filtrar, escolher com critério e consumir com propósito, em vez de apenas acompanhar o ritmo do mercado.
