Vivemos em um mundo acelerado onde sentimos a necessidade de preencher todos os minutos do nosso dia. Para muitos, se existe um tempo de descanso, ele vira conteúdo. O resultado? A dificuldade real de ficar entediado.
Por isso, um desafio tem começado a aparecer na internet. Nele, a pessoa coloca um timer de 30 minutos em qualquer dispositivo e se desafia a não fazer nada. É a hora de entrar nos próprios pensamentos.

O valor do tédio
Ficar com tédio parece desconfortável, mas ele pode ser uma pausa valiosa para a criatividade e, claro, a auto reflexão. Com o tempo, nos acostumamos a estar com o celular sempre em mãos. Por isso, o nosso “não fazer nada” envolve estar em telas.
O primeiro passo é entender que o tédio não é um vilão: ele pode até mesmo promover mais imaginação em um mundo superestimulado.

No podcast “Gostosas Também Choram”, Lela Brandão fala bastante sobre o descanso sem culpa e a reconexão com os próprios desejos. O episódio “Vazio” aborda a dificuldade que adquirimos de tolerar o silêncio e o tédio do dia a dia, muitas vezes escondido pela correria, principalmente em um contexto onde 10% ou mais dos brasileiros sofrem de ansiedade.
Inclusive, fica a nossa recomendação de podcast para ouvir e refletir sobre temas como esse.
Como reaprender a não fazer nada?
Vale tentar o desafio de 30 minutos, mas comece aos poucos. Primeiro, coloque 10 minutos. Depois, passe para 15 minutos, e aumente até chegar aos 30.
Lembre-se: sem distrações, redes sociais ou performance. Se puder, deixe o celular fora do campo de visão.
Em seguida, sente-se em um lugar confortável e aproveite. A única regra é não transformar isso em produtividade disfarçada (nada de tentar planejar o dia enquanto está nesse momento).
Nos primeiros minutos, o desconforto aparece. Assim como a vontade de levantar à procura de qualquer tarefa para fazer. Se isso acontecer, tente não ceder a essa ansiedade.

Observar sem intervir
Pensamentos também vão surgir. Muitos. Listas, memórias, ideias aleatórias.
Não organize.
Não anote.
Não resolva.
Só deixe passar pela sua cabeça e, se tiver que executar algo, faça depois.
Se você terminar o período “sem fazer nada” com tédio, deu certo. Aos poucos, você vai deixando de ficar tão inquieto e impaciente, e entende que o tédio faz parte do processo e que podemos não fazer nada sem culpa.
