Parece óbvio, mas, além de complementar os looks, as bolsas sempre tiveram a função de guardar nossos objetos pessoais. Ainda assim, esse papel vem se perdendo, basta observar o street style e até as passarelas. Em tempos em que o “ter para pertencer” dita comportamento, o acessório deixa de ser apenas funcional e passa a ser protagonista. Não à toa, carregar itens para fora da bolsa virou um dos traços marcantes da moda atual.

Podemos dizer que esse fenômeno foi antecipado pelas bolsas transparentes, que escancaram o que há dentro, e pelos modelos mini, que mal comportam um batom. Diante disso, itens pessoais passam a ser carregados nas mãos, nos bolsos ou até em ecobags, que, por sua vez, também conquistaram seu lugar ao sol.

A chancela veio com os itens para fora da bolsa em formato de chaveiro. Os chamados charms, além de enfeitarem e revelarem gostos pessoais, passaram a carregar chaves, gloss, pelúcias, como a febre do Labubu, comercializada pela Pop Mart, e outros objetos que beiram o universo dos brinquedos. Mais do que acessórios, eles evocam um sentimento de nostalgia, quase um quentinho no coração em tempos controversos.

Além disso, surgem cada vez mais bolsinhas e cases dedicados aos objetos do dia a dia. Não é exagero dizer: é praticamente uma bolsa para a sua própria bolsa.
O reflexo mais evidente veio com o retorno das maxi bolsas, que, além de comportarem tudo, surgem propositalmente abertas. Ou seja, mesmo quando há espaço de sobra, deixar os itens à mostra virou tendência. Mais do que praticidade, ter tudo à mão, no ritmo acelerado do dia a dia, a proposta reforça que o conteúdo também importa.

De Chanel, com sua estética clássica, à Balenciaga, uma das mais modernas da atualidade, diferentes maisons aderiram à ideia, apostando em modelos cada vez mais abertos. Até Fendi lançou o modelo Peekaboo com bordados por dentro, prontos para serem mostrados. Até parece que é possível deixar de mostrar o efeito tendo um modelo desses!
