Há alguns anos, talvez fosse difícil imaginar que a internet se tornaria o que é hoje: a influência digital virou profissão, e as redes sociais deixaram de ser apenas um meio de comunicação para se tornarem espaços capazes de formar opiniões, criar tendências e movimentar conversas culturais.

Porém, algumas pessoas já enxergavam esse “boom” digital antes de ele acontecer. Uma delas é Camila Coutinho, que lançou o Garotas Estúpidas há 20 anos. Duas décadas depois, a pergunta muda: depois de tanta transformação, o que o futuro ainda reserva para a influência digital?
A virada da influência
Esse foi um dos temas discutidos no “POD_i”, apresentado por Andréia Sadi. Durante a conversa, Camila reforça que o universo da influência deve passar por transformações importantes nos próximos dois anos. “As coisas estão sempre se transformando, e com a IA, sinto que estamos à beira de uma grande mudança no mercado da influência. Tudo da maneira que conhecemos vai mudar completamente”, começa a influenciadora, dona de GE Beauty.
Novos formatos
Para Camila, o que deve mudar não é o potencial dos influenciadores de impactar a vida das pessoas, mas o modelo desse mercado e a forma como esse trabalho será construído daqui para frente. “A influência é uma das profissões que estão um pouco seguras por um bom tempo. Estamos falando de conteúdo e de onde as pessoas estão hoje em dia. Mas, às vezes, sinto que vai ter muito volume, e o conteúdo vai ficar um pouco mais difícil de as pessoas compreenderem quando for mais profundo, porque elas vão estar muito acostumadas com as coisas mais mastigadas. Vai splitar um pouco.”
Quando tudo vira conteúdo
Essa fala se conecta muito com um vídeo publicado recentemente pela própria Camila, no qual ela relaciona o futuro do mercado de trabalho a um episódio de “Black Mirror”. O episódio em questão é “Fifteen Million Merits”, que imagina um futuro em que trabalho, entretenimento e consumo digital se confundem. Na trama, as pessoas vivem presas a um sistema de telas, métricas e recompensas: uma distopia que ajuda a pensar para onde pode caminhar a economia da atenção.
“Para mim, esse é um dos episódios mais geniais de Black Mirror. Ele ilustra o que está se desenhando como futuro do mercado de trabalho depois dessa revolução da IA, que automatiza muita coisa, tira o emprego de tanta gente e transforma o conceito de classe trabalhadora em algo que nunca vimos antes. Isso redesenha a sociedade como um todo. Por outro lado, temos a internet, que abre tantas possibilidades de renda e centraliza tudo nas pessoas. Aguardemos cenas dos próximos capítulos”, comenta Camila.
O valor do humano
É fato que, quando o assunto é influência, nada substitui o real e o humano. Contudo, ignorar a existência da IA, especialmente dentro da internet, é como fechar os olhos para algo que já está entre nós. O futuro da influência não será sobre escolher entre humano ou tecnologia, mas entender como esses dois mundos vão conviver. Em um cenário de excesso de informação, automação e conteúdos cada vez mais rápidos, o que deve ganhar ainda mais valor é aquilo que a IA ainda não consegue reproduzir até o momento: olhar, comunidade e conexão real.
