Enquanto para alguns a ideia de ficar sozinha ainda soa como o maior fantasma da vida adulta, para outras, a solitude virou sinônimo de conquista. No fundo, aquela velha visão pesada da solidão deu lugar à arte de habitar sua própria companhia. Detalhe: esse movimento não se restringe aos relacionamentos amorosos, ele dita as regras também na forma como filtramos amizades e dinâmicas familiares.

Nas redes sociais, trends mostram que estar sozinha e aceitar isso demonstra liberdade. Inclusive, alguns usuários já se definem como “influenciadores da solidão”. O que soa no mínimo curioso, afinal, fomos moldadas por uma cultura que dita o que devemos adquirir e acumular, e não o valor de abrir mão ou de “não ter”.
Os vídeos de pontos de vista mostram algo como “você mora sozinho, não tem amigos, então suas noites são assim” ou “você é solteiro, não tem amigos, mora sozinho e não terá filhos, então esta é a sua noite de sexta-feira”. Normalmente, esses conteúdos, em tom de calmaria e paz, demonstram os usuários fazendo algo que gostam muito. “Você é uma garota solteira que mora sozinha e não tem amigos, então você vai às compras às 22:04”, disse @lanasololife para seus quase 200.000 seguidores no Instagram.
Há também o fenômeno das jovens que compartilham o processo de aceitar que não são a “amiga favorita” de ninguém, muito menos a prioridade em seus círculos sociais. Longe de ser um manifesto de autopiedade, os relatos funcionam como uma espécie de libertação. A lógica é simples: ao encarar essa verdade, elas finalmente abandonam o esforço de tentar caber nas expectativas dos outros.
E você, é realizada na sua própria companhia?
